O pernambucano Beto estreia no mercado fonográfico com o disco A Matriz Infinita do Sonho, um álbum que transita entre o sagrado e o sensível, costurando referências do candomblé, frevo, samba, indie experimental e rock progressivo. Com uma voz grave e marcante, Beto traz um timbre que remete a Nick Cave e Tom Waits, contraposto pelas vozes de Nana Carneiro Cunha e Una (Aninha Martins). O álbum se destaca pela riqueza instrumental, com participações de Junio Barreto, Vitor Araújo, Gilu Amaral, Thomas Harres, Pedrinhu Junqueira, Thiago Nassif e Pedro Dantas. A faixa Yara do Mar antecipa o espírito lírico do álbum: “um encontro de águas” onde amor e natureza se entrelaçam em forma de canção. O clima que evoca seres míticos e sensações fluídas, revela a delicadeza poética que permeia todo o trabalho. As camadas sonoras, mixadas por Rafa Prestes, convidam a uma experiência sensorial atemporal, que desafia a lógica da produção acelerada. Entre o encantamento de Yara do Mar, a delicadeza de Valsinha (composta com Matheus Nachtergaele) e a lisergia de Peixa, Beto se apresenta como um nome singular na nova cena da música brasileira, trazendo um disco que é ao mesmo tempo introspectivo, ritualístico e inovador. Produzido por Negro Leo, o disco reúne um time de mais de 20 músicos e percorre estúdios no Rio de Janeiro, Recife e Gravatá, no Agreste pernambucano.